Orações
Caro Leitor,
Em comemoração ao quinquagésimo aniversário de sacerdócio do Padre César Augusto dos Santos, S.J., falecido em 24 de abril de 2025, o Grupo de Apoio à Causa de São José de Anchieta, que teve o Padre César como mentor e inspirador, realizou a releitura e atualização deste devocionário, originalmente editado sob sua supervisão em 2003.
Com esta nova edição, desejamos manter viva a memória e a missão de nosso querido padre, cuja dedicação à santidade de Anchieta e à evangelização permanece como exemplo luminoso de fé e serviço.
Que este devocionário seja para você um instrumento de oração, reflexão e fortalecimento espiritual, aproximando-o ainda mais de São José de Anchieta, mestre da palavra e do amor a Deus.
Com estima e gratidão,
Maria Thereza Ortale
Apresentação
Celebrando os 450 anos da chegada do Apóstolo do Brasil, a CANAN — Associação Pró-Canonização de Anchieta oferece à comunidade católica de língua portuguesa o devocionário que segue atualizado.
A intenção e facilitar o acesso do povo de Deus ao evangelizador do Brasil e oferecer sua ação catequética nos dias atuais, inspirando fé, missão e amor ao próximo, como testemunhou São José de Anchieta em sua vida e obra.
Graças às suas ações missionárias durante 44 anos em nossa pátria, São José de Anchieta tornou-se merecedor do título “Apóstolo do Brasil”, concedido pelo Bispo Dom Bartolomeu Simões Pereira em suas exéquias.
No entanto, o atributo de pai e formador da nossa nacionalidade foi se tornando mais forte, unido ao testemunho de amor de Deus no meio do povo.
Por meio deste devocionário, desejamos resgatar o papel principal e mais importante de São José de Anchieta em nosso meio: o de sacerdote de Cristo e dispensador de suas graças e favores.
Que o Beato José de Anchieta, agora São José de Anchieta, amado por seu povo, continue sendo intercessor junto ao Coração de Jesus e à Santíssima Virgem Maria.
📅 São Paulo, 13 de junho de 2003
✝️ Padre César Augusto dos Santos
Sacerdote Jesuíta, Vice-Postulador
✝️ Resumo da Vida de São José de Anchieta
Santo, Apóstolo e Padroeiro do Brasil
São José de Anchieta nasceu em 19 de março de 1534, na cidade de São Cristóvão de Laguna, Tenerife, nas Ilhas Canárias, Espanha.
Em 13 de julho de 1553, aos 19 anos de idade, chegou ao Brasil, país que se tornou o palco de sua vida e obra.
Foi sacerdote jesuíta, missionário, professor, epistológrafo, historiador, gramático e poeta. É considerado fundador ou iniciador da literatura, do teatro e da poesia brasileira. Escreveu em latim, espanhol, português e tupi, tornando-se também um dos primeiros estudiosos da língua indígena.
Além de evangelizador, exerceu as funções de médico e enfermeiro, aprendendo com os indígenas a utilização das plantas medicinais. Escreveu sobre zoologia e botânica do Brasil. No mar, foi piloto; nos naufrágios, sobrevivente.
Era reconhecido como estrategista e consultado nas invasões francesas e conflitos indígenas. Atuou como estimulador da ocupação territorial do Brasil e tem seu nome entre os fundadores das cidades de São Paulo e Rio de Janeiro, entre outras.
Após 44 anos de missão no Brasil, faleceu em 9 de junho de 1597, em Reritiba, hoje cidade de Anchieta, no Espírito Santo. Foi proclamado Apóstolo do Brasil, sendo respeitado e venerado por todos: índios, portugueses, espanhóis e seus descendentes.
🌟 Virtudes
Nos testemunhos daqueles que conviveram com ele, destacam-se suas virtudes:
humildade, coragem, paciência, benevolência, caridade e espírito de oração.
🌿 Dom espiritual e milagres
Foi considerado profeta e realizador de milagres, possuindo domínio sobre as forças da natureza:
- Abrandava as ondas do mar e adiava tempestades;
- Aves faziam sombra para protegê-lo do sol;
- Feras não o atacavam;
- Pescas milagrosas eram atribuídas à sua bênção;
- Plantas floresciam e frutificavam fora do tempo;
- Operava curas milagrosas e ressurreições: salvou uma criança que caiu de uma torre e ressuscitou o índio Diogo, batizando-o em seguida;
- Curava mudos, asmáticos, paralíticos e muitos outros doentes com a água e bênção;
- Possuía profecia e clarividência, prevendo acontecimentos e revelando fatos ocultos.
Em suas orações, capelas se enchiam de luz e cantos celestiais. Há relatos de que foi visto levitando na Igreja de Nossa Senhora da Escada, na Bahia.
🌟 Veneração e Canonização
Sua veneração continuou viva após sua morte. As graças e milagres de São José de Anchieta seguiram acontecendo ao longo dos séculos.
São relatadas curas impossíveis, soluções de situações insolúveis e proteção contra perigos e assaltos, sinais do amor de Deus que continua a agir por sua intercessão.
Reconhecendo sua santidade, a Igreja proclamou:
- 📅 22 de junho de 1980 – Beatificação por São João Paulo II, em Roma.
- 📅 3 de abril de 2014 – Canonização por Papa Francisco, elevando-o oficialmente ao altar dos santos como São José de Anchieta, Apóstolo do Brasil.
Desde então, é venerado como Padroeiro dos Catequistas e da Evangelização no Brasil, exemplo luminoso de fé, sabedoria e amor ao próximo.
🙏 Oração Inicial
Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém.
Ó Deus de amor e misericórdia, que conduzistes São José de Anchieta pelos caminhos da fé e da caridade, fazendo dele um apóstolo incansável, pai da nossa pátria e formador do nosso povo, nós Vos agradecemos pelo dom de sua vida e missão entre nós.
Senhor, que o exemplo deste sacerdote fiel, missionário zeloso e servo dos pobres inspire também o nosso coração, para que, como ele, saibamos anunciar o Evangelho com alegria, viver na simplicidade e amar com coragem.
São José de Anchieta, poeta de Cristo, educador dos corações e amigo dos humildes, intercedei por nós junto a Jesus e à Santíssima Virgem Maria, para que sejamos fortalecidos na fé, curados em nossas dores e protegidos em nossas lutas.
Concedei-nos, Senhor, por sua intercessão, as graças e favores que tanto necessitamos, e que possamos um dia participar convosco da eterna alegria do céu.
Amem.
🙏 Novena em Honra a São José de Anchieta
O Apóstolo do Brasil
📜 Primeira versão escrita por Atílio Monteiro Júnior
“Escrevi sobre um santo… um santo que já em vida era tido como tal. Um santo que sempre foi modelo de vida cristã, de vida religiosa consagrada, de sacerdote jesuíta, de missionário, de apóstolo, como cedo foi apelidado.”
Parece uma ousadia escrever sobre ele — tantos jesuítas e estudiosos, com mais envergadura intelectual e santidade, já gastaram muita tinta neste ofício, e o fizeram com sabedoria. No entanto, ousei escrever sobre um santo, não movido por motivações intelectuais ou eruditas — embora tenha lido o essencial sobre ele —, mas movido, antes de tudo, pelo coração.
Aprendi com Inácio de Loyola a perceber quando o Espírito Santo concede suas moções — inspirações interiores que não se pode recusar. É o “sim” de Maria: quando Deus chama, é preciso aceitar, mesmo parecendo ousado. Foi o que fiz.
Na alegria do convite que me foi feito, preparei este opúsculo, sem a pretensão de ser mais do que uma motivação orante para quem desejar conhecer Anchieta, o homem de Cristo e de Maria.
É um texto para ser rezado, meditado e contemplado, entrelaçando a vida de Anchieta, a espiritualidade inaciana e a Palavra de Deus.
🕊️ Como celebrar a novena
A novena pode ser celebrada:
- individualmente,
- em família,
- ou em comunidade.
Ela pode ser adaptada a diversas situações pastorais.
Quando celebrada em comunidade, é muito importante a homilia, pois ajuda a iluminar o coração dos fiéis.
A partilha dos participantes também é louvável, tornando a oração mais viva e comunitária.
Se houver Missa, a celebração da novena ocorre até a oração após a comunhão, dispensando a saudação inicial da novena. A leitura bíblica e a homilia ficam a critério do celebrante, já que há liturgia própria na Missa.
Quanto mais profunda for a devoção a São José de Anchieta, mais a comunidade poderá enriquecer a novena com:
- procissão,
- entronização da imagem,
- incensação,
cantos devocionais e momentos de silêncio orante.
✝️ Ação de graças
Rendo graças a Deus por permitir que eu fosse instrumento para este trabalho, e expresso minha gratidão pelo convite generoso do Padre César Augusto dos Santos, SJ, vice-postulador da causa de canonização de Anchieta, entusiasta incansável desta missão.
Que esta novena contribua para que todos os que a rezarem se transformem, como Anchieta, em “tudo para todos”.
📅 São Paulo, 22 de junho de 2003
✍️ Atílio Monteiro Júnior
O Papel dos Exercícios Espirituais na Vida de São José de Anchieta
Para compreender profundamente a espiritualidade de São José de Anchieta, é essencial conhecer os Exercícios Espirituais de Santo Inácio de Loyola, prática central da vida jesuítica e da formação interior do santo.
✝️ O que são os Exercícios Espirituais
Para compreender o que são os Exercícios Espirituais, é necessário conhecer também quem foi Santo Inácio de Loyola, pois os Exercícios são fruto de sua própria experiência espiritual.
Inácio, filho de nobres do País Basco, na Espanha, nasceu em 1491. Durante muitos anos, viveu voltado para as vaidades do mundo, buscando prazeres, conquistas e honras.
Após uma batalha, na qual saiu gravemente ferido, e durante o período de convalescença, foi profundamente tocado interiormente pela leitura da Vida de Cristo e da Legenda dos Santos.
A partir dessa experiência, iniciou-se um processo de conversão que o levou a mudar completamente de vida.
Durante um longo tempo, entregou-se a penitências austeras e prolongadas. Em oração, passou meses numa gruta próxima à cidade de Manresa, na Espanha, onde experimentou intensamente a ação de Deus que o iluminava, movia e transformava.
Desse encontro profundo com o Senhor nasceu um novo método de oração e um caminho de discernimento espiritual, que ele reuniu por escrito — e que mais tarde seriam conhecidos como os Exercícios Espirituais.
Com o tempo, Inácio começou a aplicar seus Exercícios em outras pessoas, inclusive nos companheiros que mais tarde formariam a Companhia de Jesus.
Embora ainda leigo nesse período, Inácio foi ordenado sacerdote em 1537.
Após várias revisões e aprovações, a Igreja reconheceu oficialmente os Exercícios Espirituais, confirmando seu valor como caminho seguro de oração, conversão e discernimento da vontade de Deus.
✝️ Os Exercícios Espirituais na Vida de São José de Anchieta
Os Exercícios Espirituais são um processo de retiro espiritual, no qual o exercitante se retira do cotidiano e, no silêncio, orientado por um diretor espiritual, vive diversas etapas que o colocam diante de Deus e de si mesmo.
Durante quatro semanas, o participante aprende a:
- discernir e perceber com clareza a vontade de Deus em sua vida cotidiana;
- tomar decisões ou reformular sua própria existência, guiado pelo Espírito;
- contemplar e meditar sobre a vida de Cristo, seguindo o método inaciano.
O método inaciano de contemplação, conduzido por pontos propostos pelo diretor dos exercícios, é essencial para todo jesuíta, logo no início de sua vida na Companhia de Jesus, ordem fundada por Santo Inácio de Loyola.
Assim, José de Anchieta, que entrou na Companhia em 1551, logo fez os Exercícios Espirituais sob a orientação do Padre Leão Henríques.
Como era natural, toda a espiritualidade inaciana influenciou profundamente a vida de Anchieta, alimentando sua vida interior, missão e serviço ao povo de Deus.
Por isso, a presente novena se inspira nos pontos mais importantes dos Exercícios Espirituais, distribuídos ao longo das quatro semanas.
Dessa forma, o participante poderá ter um pequeno contato com o imenso tesouro espiritual dos exercícios, percebendo, ao mesmo tempo, como Anchieta viveu a espiritualidade inaciana em sua própria vida.
🙏 Orientações para Quem Reza a Novena
A você que vai rezar esta novena, siga estas orientações para que sua experiência seja mais profunda e significativa:
- Escolha um lugar agradável para rezar, onde se sinta tranquilo e possa se concentrar.
- Sinta a presença amorosa de Deus junto a você neste momento de oração.
- Não tenha pressa. Desligue seus pensamentos das preocupações e da rotina diária.
- Se desejar, coloque uma música suave de fundo para ajudá-lo a entrar em oração, mas sem que se torne uma distração.
- Peça a luz do Espírito Santo para conduzir este momento de oração e meditação.
- Ao final de cada dia da novena, anote suas experiências: como sentiu que Deus lhe falou ou se manifestou em seu coração.
🌟 Novena a São José de Anchieta
Dia 1
Tema: O Tanto Quanto e o Mais
📖 Leitura Bíblica
“E, se alguém lhe pedir que ande uma milha, vá com ele duas.” – Mateus 5,41
🕊️ Meditação
Como nos ensinou Santo Inácio de Loyola:
“Nós somos criados para conhecer, amar e servir a Deus nosso Senhor, e assim termos a vida eterna. As outras coisas sobre a face da terra são criadas para nós, para que nos ajudem a fazer a vontade de Deus. Por isso, temos que usar das coisas tanto quanto nos ajudem a fazer a vontade de Deus, e devemos evitar as coisas tanto quanto nos afastem dele, -…desejando e acolhendo apenas o que mais nos conduz ao projeto de Deus para nós.”
Neste primeiro dia de louvor a Deus, em honra a São José de Anchieta, contemplamos como ele, ao longo de toda a sua vida, procurou buscar e fazer a vontade de Deus em todas as coisas.
Ele escolhia e agia tanto quanto cada situação o levava a Deus, desejando sempre o que mais pudesse ajudar a si mesmo e aos outros a alcançar a vida eterna.
Que este exemplo nos inspire a contemplar nossas próprias escolhas e atitudes, buscando em cada dia o caminho que nos aproxima de De🌟
Tema: O Tanto Quanto e o Mais
🕊️ Reflexão sobre a Vida de Anchieta
José de Anchieta sempre procurou a vontade de Deus em todas as suas decisões.
Mesmo quando criança, demonstrava entrega e obediência: cuidava da irmãzinha paralítica em vez de ir brincar, obedecia aos pais e acompanhou o irmão a Coimbra, onde se formaria com brilho nos estudos.
Em meio às tentações e vaidades do ambiente universitário, Anchieta escolheu uma vida santa e pura.
Sua consagração a Nossa Senhora foi uma escolha de coragem, assim como sua decisão de entrar para a jovem Companhia de Jesus.
Nunca teve dúvidas em obedecer a tudo e, acima de tudo por amor a Cristo.
Passava longos períodos em oração, recebendo interiormente aquilo que precisava para agir conforme a vontade de Deus.
Na nova terra do Brasil, aprendeu rapidamente a língua tupi, tornando-se um dos maiores professores dessa língua.
Compondo até uma gramática e um livro de doutrina cristã, muito utilizados por seus colegas missionários, Anchieta colocou todo empenho e amor em sua missão de educar e catequizar.
Isso é a busca do “mais”: ir além do mínimo esperado, sempre movido pelo amor a Deus e ao próximo.
📖 Iluminando com a Palavra de Deus – Salmo 1
Feliz é todo aquele que não anda conforme os conselhos dos perversos,
que não entra no caminho dos malvados,
nem junto aos zombadores se assenta.
Mas encontra seu prazer na Lei de Deus e nela medita dia e noite, sem cessar.
Eis que ele é semelhante a uma árvore plantada à beira de águas correntes:
dá seus frutos a seu tempo e jamais suas folhas murcharão.
Tudo o que ele faz prosperará.
Mas outra é a sorte dos perversos: são como palha seca espalhada pelo vento.
Por isso os ímpios não resistem ao juízo, nem os perversos na assembleia dos fiéis.
Pois Deus vigia o caminho dos eleitos,
mas a estrada dos malvados leva à morte.
🙏 Oração Final
São José de Anchieta,
apóstolo do Brasil,
ensina-nos a dar sempre o nosso melhor,
a ir além do que é fácil ou esperado,
a servir a Deus e aos irmãos com amor generoso e constante.
Que possamos usar todas as coisas para amar e servir a Deus,
discernindo o que nos afasta ou nos aproxima do Senhor,
e escolhendo sempre aquilo que nos ajuda a alcançar a vida eterna.
Que, como você, possamos viver tanto quanto e o mais por amor a Deus e ao próximo.
Amém.
🌿 Momento de Pedir
Neste momento, faça seu pedido pessoal:
- Apresente a sua necessidade a Deus, confiando na intercessão de São José de Anchieta.
- Peça também pelas necessidades dos outros, pelos familiares, amigos, pela Igreja e pelo mundo inteiro.
- Confie que Deus, em sua infinita misericórdia, ouve suas orações e age conforme a sua vontade.
Lembre-se: a oração não é apenas pedir, mas abrir o coração a Deus, permitindo que Ele transforme nossos desejos, intenções e atitudes conforme o Seu amor.
🙏 Oração Final e Benção
Oração de súplica
Deus nosso Pai,
Vós fizeste todas as coisas com sabedoria e bondade,
dando tudo para nós, para melhor Vos amar e servir.
Nós Vos pedimos, pela intercessão de São José de Anchieta, a graça desejada.
Aqui, apresente sua intenção pessoal, suplicando a graça que deseja, se for para o nosso bem e conforme a Vossa vontade.
Pai Santo, Vos pedimos que São José de Anchieta seja reconhecido por toda a Vossa Igreja como santo,
para que, pelo seu exemplo, possamos fazer muito para o Vosso serviço.
Tudo isso Vos pedimos por Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
Amém.
Orações tradicionais
Pai Nosso, Ave Maria e Glória.
Bênção final
O Senhor nos abençoe, nos livre de todo o mal,
e, pela intercessão de São José de Anchieta, nos conduza à vida eterna.
Amém
Segundo Dia — “O que fiz, o que faço e o que farei por Cristo”
Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém.
Ah, o que fiz, o que faço, e o que farei por Cristo.
De Santo Inácio de Loyola:
Imaginando diante de mim Cristo, nosso Senhor crucificado, vou falar com Ele, tentando perceber como Ele, sendo o Criador, veio a ser homem; e como, da vida eterna, chegou à morte; e, dessa forma, morreu por meus pecados.
Olhando depois para mim mesma, vou perguntar:
O que fiz por Cristo?
O que faço por Cristo?
O que devo fazer por Cristo?
Meditação — À luz da vida de José de Anchieta
José de Anchieta viveu intensamente esse passo dos Exercícios de Santo Inácio. Essas mesmas perguntas — “o que fiz, o que faço, o que farei por Cristo” — devem ter ressoado profundamente em seu coração.
Desde jovem, Anchieta sentiu o desejo de servir a Cristo com total doação. Na Universidade de Coimbra, ao ver o testemunho dos primeiros jesuítas, sentiu-se tocado por Deus e decidiu seguir o mesmo caminho. Entrou ainda adolescente na Companhia de Jesus.
Mas logo adoeceu gravemente, ficando com a coluna deformada. Sofria com a possibilidade de não poder continuar na vocação. Nesse tempo de fragilidade, Deus abriu um novo caminho: ser enviado ao Brasil, terra distante e desconhecida, cheia de desafios e perigos.
Anchieta deve ter se perguntado:
“O que estou fazendo por Cristo?
O que posso ainda fazer por Ele?”
Com humildade e fé, respondeu com disponibilidade.
Mesmo doente, embarcou com outros companheiros rumo ao Brasil, em 1553. Durante a longa e difícil viagem, servia os irmãos, cozinhava, cuidava dos enfermos, animava os desanimados — já vivendo o lema de São Paulo:
“Fiz-me tudo para todos, para ganhar todos para Cristo.” (1Cor 9,22)
Para a oração pessoal
- Coloque-se diante de Cristo crucificado e silencie.
- Releia as três perguntas de Santo Inácio.
- Peça a graça de reconhecer como Ele tem agido em sua vida.
- Contemple o exemplo de Anchieta, que respondeu com coragem e amor.
- Termine com um pequeno colóquio, dizendo:
“Senhor, que eu Vos conheça mais claramente, Vos ame mais ternamente e Vos siga mais fielmente.”
- Iluminando com a Palavra de Deus
📖 Evangelho segundo São Marcos 1,14–20
Depois que João foi preso, Jesus dirigiu-se para a Galileia, pregando o Evangelho de Deus e dizendo:
“Completou-se o tempo, e o Reino de Deus está próximo.
Fazei penitência e crede no Evangelho.”
Passando ao longo do mar da Galileia, viu Simão e André, seu irmão, que lançavam as redes ao mar, pois eram pescadores.
Jesus disse-lhes:
“Vinde após mim, e eu vos farei pescadores de homens.”
No mesmo instante, eles deixaram as redes e seguiram-no.
🕯️ Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.
- Momento de reflexão pessoal
Em silêncio, medite sobre o que foi rezado até agora.
Pergunte a si mesma:
- Onde percebo Cristo me chamando hoje?
- Quais “redes” ainda preciso deixar para segui-lo com mais liberdade?
- O que posso oferecer concretamente a Ele nesta etapa da minha vida?
(Pausa para oração pessoal e anotações, se desejar.)
🕊️ Terceiro Dia — “Vencendo o pecado”
Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém.
- Introdução — Pedindo a graça de vencer o pecado
vencendo o pecado!
Como Santo Inácio de Loyola, começo esta oração pedindo a intercessão de Nossa Senhora, para que me alcance de seu Filho e Senhor três graças especiais:
- Sentir profundo conhecimento dos meus pecados, para que os reconheça e os rejeite da minha vida.
2. Compreender como minhas ações podem ser más, para que eu rejeite tudo o que me afasta do bem e volte ao caminho certo.
3. Receber luz interior, para discernir o mundo em que vivo — e assim saber escolher, afastando de mim tudo o que não me serve como cristã, e buscando o que me conduz a Deus.
Que eu aprenda a vencer a mim mesma, para melhor me abrir a Deus e aos irmãos.
(Pausa para oração silenciosa.)
- Contemplando o exemplo de José de Anchieta
José de Anchieta foi exemplo de quem lutou contra o pecado e contra si mesmo, vencendo com humildade, fé e amor.
Desde jovem, enfrentou tentações, fragilidades e a dor de uma saúde debilitada. No entanto, não se deixou dominar pela tristeza nem pelo medo.
Aprendeu, como ensina Santo Inácio, a vencer-se a si mesmo — superando o amor próprio, a vaidade e o desânimo — para entregar-se totalmente à vontade de Deus.
Uma das vezes em que essa luta interior se tornou mais visível foi em 1563, quando o jovem Anchieta, ainda antes de ser padre, acompanhou o padre Manuel da Nóbrega até os índios tamoios, onde hoje é Ubatuba (São Paulo).
Foram enviados para promover a paz entre portugueses e indígenas, num tempo de grande tensão e violência. Sabiam que corriam o risco de ser mortos ou devorados, mas confiaram na providência divina e foram mesmo assim.
Durante o tempo em que ficou como refém entre os tamoios, Anchieta enfrentou não só o risco de morte, mas também o risco para sua alma.
Conta-se que os índios, admirados com sua serenidade e pureza, ofereciam-lhe mulheres da tribo — o que ele recusava com firmeza, explicando-lhes que havia feito voto de castidade por amor ao Reino dos Céus.
Anchieta tinha então 29 anos.
Em meio a uma terra estranha e hostil, sozinho, desamparado e cercado de tentações, permaneceu fiel à sua fé e à sua missão.
Venceu o medo, o desejo e a solidão, sustentado apenas pela oração e pela confiança em Deus.
Assim, compreendemos que vencer o pecado é também vencer a si mesmo, e que essa vitória acontece quando o coração permanece unido a Cristo, mesmo nas provações mais duras.
- Iluminando com a Palavra de Deus
📖 Salmo 22(23) — O Senhor é meu pastor
O Senhor é o pastor que me conduz,
nada me faltará.
Pelos prados e campinas verdejantes, Ele me leva a descansar.
Para as águas repousantes me encaminha
e restaura as minhas forças.
Ele me guia no caminho mais seguro,
pela honra do seu nome.
Mesmo que eu passe pelo vale tenebroso,
nenhum mal eu temerei,
pois Vós estais comigo:
vosso bastão e vosso cajado me dão segurança.
Preparais para mim uma mesa
diante dos meus inimigos;
ungis minha cabeça com óleo,
e o meu cálice transborda.
Felicidade e todo o bem me seguirão
por todos os dias da minha vida,
e na casa do Senhor habitarei
pelos tempos infinitos.
🕯️ Palavra do Senhor.
— Graças a Deus.
- Momento de reflexão pessoal
Em silêncio, contemple o que foi rezado até agora.
- Que pecados ou fraquezas preciso entregar ao Bom Pastor, para que Ele me conduza à liberdade?
- Tenho confiado que Ele me guia “pelos caminhos mais seguros”?
- Que “vales tenebrosos” enfrento — e onde reconheço que o Senhor caminha comigo?
- Peça a graça de sentir-se restaurada e em paz, como uma ovelha nos braços do Pastor.
(Pausa para oração pessoal ou escrita espiritual.)
✨ Quarto Dia da Novena – O Chamado do Rei
🙏 Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém.
A – O Chamamento do Rei
Inspirado em Santo Inácio de Loyola
Vou imaginar um rei humano, escolhido pela mão de Deus nosso Senhor, a quem prestam serviço e obediência todos os príncipes e todos os homens cristãos.
Esse rei fala a todos os seus, dizendo:
“É minha vontade conquistar toda a terra.
Portanto, quem quiser vir comigo, há de contentar-se em comer como eu, beber e vestir como eu.
Do mesmo modo, deverá trabalhar comigo durante o dia e vigiar durante a noite,
para que depois tenha parte comigo na vitória, assim como teve parte comigo nos trabalhos.”
Agora, imaginarei o que devem responder os bons servidores a um rei tão generoso e humano.
Se algum não aceitasse o chamado de tal rei, seria desprezado e tido por covarde e infiel.
Mas Santo Inácio convida-nos a ir além — a aplicar esta imagem a Cristo Rei, o Senhor de toda a criação:
“Se o convite de um rei terreno é digno de honra,
quanto mais digno é o convite de Cristo, Rei eterno,
que diante do mundo inteiro e de cada pessoa em particular, chama com amor:
‘A minha vontade é conquistar o mundo inteiro e todas as pessoas,
para que todos entrem na glória de meu Pai.
Portanto, quem quiser vir comigo deve trabalhar comigo,
para que, seguindo-me na cruz e nos trabalhos, venha comigo também na vida e na glória.’”
B – Considerando a vida de São José de Anchieta
Em toda a sua vida, especialmente no Brasil, Anchieta sempre seguiu como servo bom e fiel o seu Senhor e Rei, Jesus Cristo.
Chegando à Bahia, em 1553, logo contemplou o rebanho que Deus lhe confiava — um povo novo, que ele apascentaria com amor e dedicação por 44 anos, até a sua morte, sem jamais voltar à Europa.
Na nova terra, faltava tudo: alimentos, recursos, abrigo, conforto. Mas Anchieta, fiel ao chamado do Rei, não se queixava. Vestia-se apenas com a batina simples, andava descalço ou com sandálias que ele mesmo fabricava.
A pobreza e o trabalho foram seus companheiros constantes.
A obediência foi outra de suas virtudes mais marcantes. Obedecia a seus superiores como se o próprio Cristo lhe desse as ordens. Foi assim que, em 1554, subiu com os irmãos ao planalto de Piratininga, onde ajudou a fundar a pequena São Paulo de Piratininga, que viria a tornar-se uma das maiores cidades do mundo.
Nas suas cartas, Anchieta conta:
“As coisas necessárias para o nosso sustento conseguimos com o trabalho de nossas mãos, como o apóstolo São Paulo, para não sermos pesados a ninguém.”
Anchieta fazia de tudo — era cozinheiro, farmacêutico, professor, construtor de vilas e estradas, escritor e catequista incansável.
Dominar a língua tupi foi para ele um ato de amor e serviço: escreveu uma gramática, um catecismo e poesias em tupi para ensinar o Evangelho e dialogar com o povo.
Sua arte e sua fé se uniam: compunha poemas em honra de Maria Santíssima, mostrando um coração terno e profundamente mariano.
Toda a sua vida foi resposta viva ao chamado do Rei Eterno, servindo com alegria e humildade no Reino de Deus.
C – Iluminando com a Palavra de Deus
📖 Evangelho segundo São Lucas 9, 1–6
“Tendo reunido os Doze, Jesus deu-lhes poder e autoridade sobre todos os demônios
e para curar as doenças.
Enviou-os a proclamar o Reino de Deus e a curar os enfermos.
E lhes disse:
‘Não leveis nada para o caminho,
nem bastão, nem bolsa, nem pão, nem dinheiro,
nem tenhais duas túnicas.
Em qualquer casa onde entrardes, permanecei ali até vos retirardes.
Se não vos acolherem, ao sairdes daquela cidade,
sacudi o pó dos vossos pés,
como testemunho contra eles.’
Então eles partiram e foram de cidade em cidade,
anunciando a Boa-Nova e realizando curas por toda parte.”
🌿 Momento de Reflexão Pessoal
Feche os olhos e silencie o coração.
Imagine-se diante de Cristo, o Rei Eterno, que olha para você com amor e o chama a segui-lo.
- O que o Senhor me pede hoje?
- Tenho servido ao meu Rei com fidelidade, alegria e confiança?
- Tenho colocado meus dons e forças a serviço de Deus e dos irmãos, como fez São José de Anchieta?
- Quais são as “riquezas” e “seguranças” que ainda me prendem e me impedem de segui-Lo plenamente?
Peça a graça de responder com generosidade ao chamado de Cristo, como fez Anchieta — com simplicidade, amor e serviço.
💭 “Senhor, que eu não tema as fadigas, as privações e as cruzes do caminho,
mas encontre nelas a alegria de servir a Ti, meu Rei e Salvador.”
🙏 Momento de Petição
Agora, apresente seu pedido pessoal.
Fale com o coração.
- Coloque diante de Deus suas necessidades e intenções.
- Reze também pelos outros, pelos que sofrem, pela Igreja e pelo Brasil, terra que Anchieta amou e serviu até o fim.
🕊️ “São José de Anchieta, apóstolo do Brasil, intercede por nós junto ao Coração de Jesus.
Ensina-nos a servir com amor, a obedecer com fé e a trabalhar com esperança.”
Quinto dia. As Duas Bandeiras e a Eleição.
Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém.
🌿 A – As Duas Bandeiras e a Eleição De Santo Inácio de Loyola)
Quem faz os Exercícios Espirituais deve imaginar Cristo chamando cada pessoa para estar ao seu lado e trabalhar com Ele na construção do Reino de Deus.
Mas também deve perceber que o demônio, ao contrário, chama os homens para si, tentando desviá-los do caminho da verdade por meio de mentiras, ilusões e falsas promessas.
Santo Inácio nos convida a ver dois grandes campos:
- Um em Jerusalém, onde o chefe dos bons é Cristo nosso Senhor, que nos chama ao amor, à pobreza, à humildade e ao serviço.
- Outro no Oriente, onde o chefe dos inimigos é Satanás, que seduz com o orgulho, a riqueza e os prazeres enganadores.
O exercitante é então convidado a escolher sob qual bandeira quer lutar — a de Cristo ou a do inimigo.
Essa escolha é chamada por Santo Inácio de “Eleição”, ou seja, a decisão de servir inteiramente ao Senhor e permanecer fiel ao seu chamado.
Devemos, portanto, pedir discernimento e força para escolher sempre Cristo e seu Evangelho, rejeitando os enganos do mal e confiando na graça de Deus.
🌿 B – Considerando a vida de São José de Anchieta
Podemos dizer que toda a vida de Anchieta foi uma luta constante sob a bandeira de Cristo Senhor.
Desde menino, nas Ilhas Canárias, ele escolheu servir a Jesus com pureza e entrega total.
Mais tarde, como jesuíta e missionário no Brasil, sua fidelidade à bandeira de Cristo nunca vacilou, mesmo diante das maiores dificuldades.
Como escreveu o padre Armando Cardoso,
“Seu amor aos índios não media sacrifícios.”
Em suas cartas e poemas, Anchieta descreve com humildade e realismo as lutas, perigos e privações enfrentadas pelos missionários.
O Brasil era uma terra árida e desafiadora, onde por vezes os frutos da fé pareciam escassos — mas Anchieta nunca desanimou.
Trabalhou incansavelmente pela dignidade e liberdade dos indígenas, combatendo abusos e injustiças.
Foi severo com os que maltratavam os índios e defensor ardente da paz entre os povos.
Toda a sua vida foi um testemunho de fidelidade ao Rei Eterno, lutando sob sua bandeira com coragem, fé e amor.
📖 C – Iluminando com a Palavra de Deus
Evangelho segundo São Mateus 6, 24
“Ninguém pode servir a dois senhores,
pois ou odiará a um e amará o outro,
ou se apegará a um e desprezará o outro.
Não podeis servir a Deus e ao dinheiro.”
💭 D – Momento de Reflexão Pessoal
Silencie o coração.
Diante das duas bandeiras — a de Cristo e a do inimigo — pergunte-se:
- Sob qual bandeira tenho vivido minha vida?
- Em que momentos tenho me deixado seduzir pelo poder, pela vaidade ou pelo conforto?
- Tenho sido fiel ao chamado de Cristo, como Anchieta, servindo com humildade e amor?
Peça a Deus o dom da sabedoria espiritual, para reconhecer os enganos do mal e permanecer firme na bandeira de Cristo, o Rei da Paz.
SEXTO DIA — O HORTO
Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém.
- O HORTO — De Santo Inácio de Loyola
Aqui vou recordar como Cristo, nosso Senhor, desceu com os doze discípulos de Jerusalém, onde celebrou a Ceia, para um jardim fora da cidade.
Deixou lá oito deles, e com os outros três foi a uma parte mais retirada do jardim.
E orando, começou a transpirar suor em gotas de sangue.
Depois de ter por três vezes orado ao Pai, desperta os três discípulos.
Seus inimigos caem por terra ao som da sua voz. Judas dá-lhe o beijo.
Pedro corta a orelha de Malco — e Cristo a coloca curada em seu lugar.
É preso como bandido, arrastado descendo o morro, e depois subindo até a casa de Anás.
Nesse passo dos Exercícios Espirituais, somos convidados a nos unir a Cristo sofredor, que inicia sua entrega pela nossa salvação.
Anchieta O imitou, entregando também sua vida à missão.
- CONSIDERANDO A VIDA DE ANCHIETA
O Padre José de Anchieta tinha muitas qualidades.
Por isso, não muito depois de se tornar padre, em 1566, foi indicado como superior dos jesuítas no Brasil.
Mas Anchieta não queria esse cargo — considerava uma provação ter de aceitá-lo, ainda que por obediência.
Assim, viveu o seu próprio “orto”, como o de seu Mestre.
Como Cristo, não afastou o cálice do sofrimento, mas bebeu até o fim.
A vida religiosa, muitas vezes, tem momentos de agonia, de entrega e de silêncio.
Diz um escritor do tempo do Santo:
“Posto no cargo, que aceitou com muito sentimento e angústia do seu coração, não mudou nada do seu andar comum e acostumado.
Nem para com os índios, aos quais sempre acudia a pé e descalço, todas as vezes que podia deixar as obrigações do seu ofício;
nem no tratamento de uma pessoa, que sempre foi abatido e abaixo, e não dava trabalho aos seus irmãos.”
Anchieta, como Jesus no Horto, rezava, obedecia e servia em meio às provações, sempre sustentado pela fé e pela confiança no Pai.
- ILUMINANDO COM A PALAVRA DE DEUS
Evangelho segundo São Lucas 22, 39–46
Jesus saiu e foi, como de costume, para o Monte das Oliveiras, e os seus discípulos o seguiram.
Chegando a este lugar, Ele lhes disse:
“Rezai, para não cairdes em tentação.”
E afastou-se deles mais ou menos à distância do arremesso de uma pedra,
e, tendo-se posto de joelhos, rezava dizendo:
“Pai, se quiseres, afasta de mim este cálice;
no entanto, não se faça a minha vontade, mas a tua.”
Então apareceu-lhe do céu um anjo que o fortificava.
Tomado de angústia, Ele rezava com mais insistência,
e o seu suor tornou-se como coágulos de sangue que caíam por terra.
Quando, depois dessa oração, Ele se levantou e veio ter com os discípulos,
achou-os adormecidos de tristeza, e lhes disse:
“Por que dormis? Levantai-vos e rezai, para que não entreis em tentação.”
- MOMENTO DE REFLEXÃO PESSOAL
Em silêncio, contemple o sofrimento de Jesus no Horto e o oferecimento de Anchieta nas suas provações.
Que “hortos” você vive hoje?
Quais são os cálices que o Senhor pede que você aceite com amor e confiança?
Peça a graça de permanecer fiel, mesmo nas angústias, unido à vontade de Deus.
- ORAÇÃO (como no primeiro dia)
Deus, nosso Pai,
vós fizestes todas as coisas com sabedoria e bondade,
dando tudo para nós, para melhor vos amar e servir.
Nós vos pedimos, pela intercessão de São José de Anchieta,
a graça desejada (faça aqui seu pedido, se for da vossa vontade e para o nosso bem).
E assim, Pai Santo, vos pedimos
que São José de Anchieta seja reconhecido e amado por toda a vossa Igreja,
para que, pelo seu exemplo, muitos sejam conduzidos ao vosso serviço.
Tudo isso vos pedimos por Jesus Cristo, vosso Filho,
na unidade do Espírito Santo. Amém.
Rezar: Ave-Maria, Pai-Nosso e Glória ao Pai.
SÉTIMO DIA — A PAIXÃO
Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém.
- A PAIXÃO — De Santo Inácio de Loyola
Quando pensar sobre a Paixão, peça a graça de sentir a mesma dor com Cristo doloroso, a angústia com Cristo angustiado.
Procure unir seu coração ao sofrimento de Jesus, que passou por você.
- Pilatos, sentado como juiz no tribunal, entregou Jesus aos judeus para crucificarem.
- Eles O negaram como rei, dizendo: “Não temos outro rei senão César.”
- Jesus caminhou com a cruz nas costas. Incapaz de levar sozinho, obrigaram Simão Cirineu a carregá-la junto a Ele.
- Foi crucificado em meio a dois ladrões, com a inscrição sobre a cruz:
“Jesus de Nazaré, Rei dos Judeus.”
- Considerando a vida de São José de Anchieta
Apesar de sua saúde fragilizada ao longo da vida, Anchieta fez de sua existência um contemplar constante da Paixão de Cristo.
- Quando sua doença se agravava com a idade, ele permanecia humilde, carinhoso e caridoso.
- Com os enfermos, era dedicado e paciente, admirado por todos.
- No colégio da Bahia, foi o melhor ajudante de enfermeiro, cuidando de todos com dedicação.
- Levantava e deitava os doentes, preparava remédios, xaropes e temperava a comida, mesmo estando doente, para servir aos outros com amor e humildade.
Assim, Anchieta imita Cristo sofredor, vivendo a entrega, a obediência e o serviço aos irmãos, mesmo diante de suas próprias dificuldades.
- Iluminando com a Palavra de Deus
Filipenses 2, 6–11
“Embora fosse de divina condição, Jesus Cristo não se apegou a ser igual em natureza a Deus Pai.
Porém esvaziou-se de sua glória e assumiu a condição de servo, fazendo-se semelhante aos homens.
Reconhecido exteriormente como homem, humilhou-se, obedecendo até a morte — e morte humilhante numa cruz.
Por isso Deus o exaltou sobremaneira,
e deu-lhe um nome mais excelso e sublime,
para que perante Jesus se dobre todo joelho, seja nos céus, na terra ou nos abismos,
e toda língua confesse para a glória de Deus Pai:
Na verdade, Jesus Cristo é o Senhor.”
- Momento de Reflexão Pessoal
Silencie o coração e contemple a Paixão de Cristo e a vida de Anchieta.
Pergunte-se:
- Tenho me unido à entrega de Cristo em minha vida?
- Aceito os sofrimentos e desafios com fé, paciência e amor aos outros?
- Como posso servir melhor aos meus irmãos, imitando a humildade e caridade de Anchieta?
OITAVO DIA — A RESSURREIÇÃO, MARIA
Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém.
- A RESSURREIÇÃO, MARIA — Dos Exercícios Espirituais de Santo Inácio de Loyola
Vou pensar como Deus, que parecia estar escondido na Paixão, aparece agora e se manifesta em sua Santíssima Ressurreição, de maneira tão milagrosa, por seu próprio poder.
- Apareceu primeiro a Maria, (João 20:11–18)
- 11 Maria, porém, ficou do lado de fora do sepulcro, chorando. Enquanto chorava, abaixou-se para olhar dentro do sepulcro,
12 e viu dois anjos vestidos de branco, sentados onde o corpo de Jesus fora colocado, um à cabeceira e outro aos pés.
13 Eles lhe perguntaram: “Mulher, por que choras?” Ela respondeu: “Porque levaram o meu Senhor, e não sei onde o puseram.”
14 Ao dizer isso, voltou-se para trás e viu Jesus em pé, mas não reconheceu que era Jesus.
15 Jesus lhe perguntou: “Mulher, por que choras? A quem procuras?” Ela, pensando que fosse o jardineiro, disse: “Senhor, se tu o tiraste, diz-me onde o puseste, e eu o levarei.”
16 Jesus lhe disse: “Maria!” Ela, voltando-se, exclamou em hebraico: “Rabôni!” (que quer dizer Mestre).
17 Jesus lhe disse: “Não me detenhas, pois ainda não subi para o Pai; mas vai a meus irmãos e dize-lhes que eu subo para meu Pai e vosso Pai, para meu Deus e vosso Deus.”
18 Maria Madalena foi e anunciou aos discípulos: “Vi o Senhor!” E contou o que ele lhe dissera.
Neste exercício, somos convidados a alegrar-nos na vitória de Cristo sobre a morte, contemplando a luz e a vida que Ele trouxe ao mundo.
- Considerando a vida de São José de Anchieta
Vamos ver algumas ações de Anchieta que trouxeram vida e esperança aos outros, sobretudo aos índios:
- Foi o primeiro professor de São Paulo, dedicando-se às lições até tarde da noite.
- Dormia pouco, comia pouco, servia como médico e enfermeiro com grande habilidade.
- Cozinhava, plantava, abria estradas de São Vicente até o planalto de Piratininga.
- Construiu vilas por todo o litoral para proteger e ensinar os povos indígenas.
- Fundou colégios, hospitais e igrejas, e formou comunidades, atuando como um verdadeiro apóstolo de São Paulo.
- Escreveu poemas sobre a Virgem Maria, sobre a Eucaristia, sobre os irmãos jesuítas que deram a vida por Cristo, além de registrar informações sobre animais, plantas, clima e terra do Brasil.
- Criou obras de teatro para catequizar índios e brancos, de forma educativa e agradável.
- Cuidava dos feridos em guerras, ministrava os sacramentos e pregava contra a injustiça.
- Mesmo sobrecarregado como superior, sempre encontrava tempo para os aflitos, doentes e, especialmente, para os índios que amava.
- Desde a infância, seu amor por Nossa Senhora foi profundo; consagrou-se a Ela e dedicou poemas, inclusive na areia das praias de Ubatuba, enquanto esteve refém dos tamoios, decorando quase seis mil versos em latim.
Assim, Anchieta vivia a Ressurreição de Cristo, trazendo vida, esperança e cultura aos povos do Brasil.
- Iluminando com a Palavra de Deus
Colossenses 3, 1–4,16
Visto que ressuscitaste com Cristo, procurai que estás no alto, onde ele se encontra, Cristo, sentado à direita de Deus. E no alto é que está a vossa meta, não na terra. De fato, vós estais mortos e vossa vida está escondida com Cristo em Deus. Quando Cristo, vossa vida, aparecer, então vós também aparecereis com Ele em plena glória.
- Momento de Reflexão Pessoal
Silencie o coração e contemple a Ressurreição de Cristo e a vida de Anchieta:
- De que forma posso trazer vida e esperança aos outros, como Anchieta fez com os índios e toda a comunidade?
- Estou buscando as coisas do alto, ou me prendo demasiadamente às coisas terrenas?
- Como posso imitar a dedicação e o amor de Anchieta, colocando minha vida
dando tudo para nós, para melhor vos amar e servir.
Nós vos pedimos, pela intercessão de São José de Anchieta,
a graça que hoje desejamos (faça aqui seu pedido, se for da vossa vontade e para o nosso bem).
Concedei-nos a força e a alegria de viver a Ressurreição de Cristo,
trazendo vida, esperança e amor aos nossos irmãos,
assim como fez São José de Anchieta.
Tudo isso vos pedimos por Jesus Cristo, vosso Filho,
na unidade do Espírito Santo. Amém.
Rezar: Ave-Maria, Pai-Nosso e Glória ao Pai.
NONO DIA — CONTEMPLAÇÃO PARA ALCANÇAR O AMOR
Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém.
- Contemplação para Alcançar o Amor — De Santo Inácio de Loyola
Vamos meditar sobre duas verdades essenciais:
- O amor deve ser mais de obras do que de palavras.
- O amor é doado, ou seja, a pessoa que ama dá e comunica à pessoa amada aquilo que tem ou parte do que possui.
Peçamos a Deus:
- Conhecimento do nosso coração e dos tantos bens que recebemos Dele.
- Reconhecimento do amor de Deus por nós, para que possamos amar e servir em tudo a Jesus Cristo.
Lembre-se dos presentes recebidos de Deus:
- A criação,
- A redenção,
- Os dons e talentos que Ele lhe concedeu.
Observe com carinho tudo o que Deus fez por você e perceba que é de toda razão e justiça oferecer a Cristo tudo o que é seu, como quem oferece um presente com todo amor.
- Considerando a vida de São José de Anchieta
- Muitos índios e brancos se curaram pela intercessão de Anchieta ainda em vida.
- É famoso o milagre das garças: não se sabe se ocorreu no canal de Bertioga ou na Baía de Guanabara. O sol queimava os passageiros de um barco, entre eles Padre Anchieta, que já desmaiava com o calor insuportável.
- Uma garça passou voando sobre eles, e Anchieta pediu ajuda à ave, falando com ela. Logo, um bando de garças fez sombra sobre a barca. Ao final da viagem, as aves se afastaram.
- Sabemos que houve muitos outros milagres:
- Domínio sobre animais ferozes,
- Ressurreição e batismo de índios,
- Curas diversas pela água abençoada,
- Profecias e conhecimento do interior das pessoas,
- Flores e frutos que floresciam em suas mãos,
- Momentos em que muitos viram Anchieta em profunda intimidade com Deus.
- Padre Anchieta faleceu em 9 de junho de 1597, em Rectiba, aldeia fundada por ele mesmo, causando grande tristeza em índios, portugueses e seus irmãos da ordem.
- Como nos recorda Padre Armando Cardoso:
“A maior lição de Anchieta não foi o latim, nem a instrução das primeiras letras, nem a língua tupi. Foi o amor, a força que vence tudo. Era a primeira lição aos irmãos seminaristas: ‘A tudo vence o amor, e nós sejamos vencidos por ele’.”
- Iluminando com a Palavra de Deus
1 João 4, 7–16
Caríssimos, amemo-nos uns aos outros, pois o amor vem de Deus.
Todo aquele que ama nasceu de Deus e conhece a Deus.
Quem não ama não conhece a Deus, porque Deus é amor.
Deus enviou o seu Filho único ao mundo para que vivêssemos por meio dele. Nisso consiste o amor.
Não fomos nós que amamos a Deus, mas Ele que nos amou e enviou o seu Filho como vítima de expiação por nossos pecados.
Caríssimos, se Deus nos amou a tal ponto, nós também devemos amar uns aos outros.
A Deus ninguém jamais contemplou. Se amarmos uns aos outros, Deus permanece em nós, e seu amor em nós é perfeito.
Nisso reconhecemos que permanecemos nele e Ele em nós. Ele nos deu o seu Espírito.
Todo aquele que confessar que Jesus é o Filho de Deus permanece nele e Deus permanece nele.
- Momento de Reflexão Pessoal
Pergunte a si mesmo:
- Tenho oferecido minha vida a Deus com verdadeiro amor e entrega?
- Estou amando meus irmãos com generosidade e ações concretas, como fez Anchieta?
- Posso confiar na intercessão de São José de Anchieta para que meu coração seja transformado pelo amor de Deus?
- Oração Final
Deus nosso Pai,
vós fizestes todas as coisas com sabedoria e bondade, dando tudo para nós, para melhor vos amar e servir.
Nós vos pedimos, pela intercessão de São José de Anchieta,
que nosso coração seja plenamente entregue ao vosso amor.
Concedei-nos coragem e generosidade para servir aos irmãos,
e para oferecer a nossa vida como oferta de amor a Jesus Cristo.
Tudo isso vos pedimos por Jesus Cristo, vosso Filho,
na unidade do Espírito Santo. Amém.
Rezar: Ave-Maria, Pai-Nosso e Glória ao Pai.
Oração Para Alcançar a Proteção do Bem-Aventurado Anchieta – Oração Manto – Pe. Netto, SJ
Bem Aventurado Anchieta, com o coração abrasado pelo amor ao próximo buscaste, com afinco, aliviar os males do corpo e do espírito de todos os que Deus colocou no teu caminho. A ti recorremos também nós, para que nos alivies das aflições deste nosso mundo conturbado.
Teu manto te protegeu do sol, do frio, dos ventos, das tempestades e dos perigos da selva, nas incansáveis andanças por terras do Brasil, em nome do Senhor: que ele seja para nós, hoje, abrigo e proteção contra os perigos e ameaças que diariamente enfrentamos, especialmente, contra assaltos, seqüestros e toda a violência. Tira do nosso coração e do nosso espírito a insegurança, a intranqüilidade e o medo, fazendo-nos viver na serenidade e na paz, construindo um mundo solidário e compassivo.
Bem Aventurado Anchieta, num ato de imensa confiança em Deus, nosso Pai, e de extremada busca da reconciliação e da paz entre os homens, te entregastes, voluntariamente, como refém dos indígenas Tamoios e com tua serenidade e teu olhar bondoso desarmaste guerreiros enfurecidos, serenaste os ânimos e levaste os inimigos á reconciliação: ensina-nos o segredo dessa presença que desarma, desse amor que reconcilia, dessa confiança que pacifica; não permitas que nos tornemos reféns do medo, do temor e da insegurança.
Finalmente te pedimos, estende teu manto e protege dos perigos desta vida todos aqueles a quem amamos, e ensina, de novo, ao Povo Brasileiro, a quem tanto amaste, os caminhos da reconciliação e da paz.
Bem-aventurado Anchieta protege-nos, hoje, dos assaltos, dos seqüestros e de toda violência.
AMÉM.
O manto de Anchieta se encontra no Pateo do Collegio – São Paulo – SP