Relíquia

O ser humano foi criado à imagem e semelhança de Deus e São Paulo nos diz que Jesus é o Homem por excelência, o modelo, e que deveremos ir nos assemelhando ao Cristo para nos tornarmos mais homens, mais humanos. Por isso todo ser humano foi criado à imagem de Jesus Cristo. Ao me deparar com homem ou mulher, deparo-me com um ser imagem de Deus.

Com,o batismo, ou seja, o banho no sangue redentor de Jesus Cristo e a unção com o óleo sagrado, Deus me tornou seu templo, habitação do Espírito Santo. Passei a ser ungido como Jesus, o Cristo, isto é , o Ungido de Deus.

Ora, se na consagração de um altar, de uma Igreja, derrama-se o óleo do crisma sobre ele e suas paredes, o que o tornam objeto e local sagrado, dignos de beijos e reverências  porque simbolizam o Cristo sacerdote e a casa de Deus, quanto mais o ser humano, imagem e templo vivo do Deus Altíssimo! Aí está o sentido e o porquê de todo o respeito e luta pelo ser humano e seus direitos.

O que dizer de uma comunidade que se preza em ter seu templo de pedra restaurado, limpo e florido e não se incomodar ao ver na sarjeta, sujos e doentes os templos vivos de Deus? Onde está a coerência de um cristão que faz questão de contribuir para o culto, mas não abre mão de seu tempo e nem de seu dinheiro para acolher aqueles que parecem mais ruínas de um templo vivo?

Por causa dessa visão a respeito do ser humano, a Igreja, comunidade de cristãos, respeita e venera os corpos daqueles que um dia foram templo e imagem do Deus Altíssimo, de Jesus Cristo.

Ela os prepara para os ritos de encomendação, os envolve com círios (sinais da ressurreição de Jesus), os incensa e os asperge com água benta. Aquele corpo foi ungido, durante toda a vida recebeu o corpo e sangue de Jesus; através dele Deus amou com amor de pai, de mãe, de filho ou de filha, de irmão ou irmã, de amigo ou amiga, dependendo da relação daquele ente com os demais. Ele foi um sinal qualificado do amor de Jesus. E, em inúmeros casos, aquele corpo foi de um cristão ou cristã que para a comunidade local ou até universal, se tornou fonte de ensinamentos e testemunhos da providencia, da redenção, da presença de Deus na História. Aquele corpo passou a ser uma relíquia, uma recordação expressiva de alguém que foi, forte sinal do amor de Deus.

Quando venero uma relíquia de um santo ou santa, estou venerando alguém que não só foi criado à imagem de Deus e foi templo do Espírito Santo, mas alguém que se deixou ser para todos, um canal da misericórdia do Pai.

Eis o sentido da devoção às relíquias das pessoas queridas e o respeito pelos restos mortais de todos os seres humanos especialmente por aqueles que foram ungidos.

OBS:
Texto bíblico que faz referencia do templo sagrado: o corpo de Jesus e por extensão de todos nós ungidos pelo batismo.

Evangelho – Jô 2, 13 -22.

A relíquia do Beato José de Anchieta

Em 1609, doze anos após a morte de Anchieta, seus restos mortais foram exumados da Igreja de Santiago, em Vitória do Espírito Santo  e transladados para a atual Catedral de Salvador, na Bahia.

Por ordem do Superior Geral da Companhia de Jesus, o fêmur aqui exposto foi transferido em 1610 para Roma, onde permaneceu durante três séculos e meio guardada na Cúria Generalícia dos Padres jesuítas.

Após a instituição do “Dia de Anchieta”, em 1965, a ser comemorado em todo o território nacional em 9 de junho, data do seu falecimento,  foi providenciada a  restituição da relíquia  ao Brasil,  que chegou no ano de 1966 sendo que o fêmur foi destinado desde então a permanecer exposto à contemplação no Pateo do Collegio, em São Paulo.

Mais tarde foi retirada a cabeça do fêmur e entregue aos cuidados do Vice-Postulador da Causa da Canonização de Anchieta de forma a exortar a devoção pelo Beato, que morreu abrasado pelo amor ao seu próximo e ao Brasil.  

A relíquia que ora fará a peregrinação pelo litoral paulista, é um fragmento da cabeça do fêmur.

Em Roma, onde ficou um pequeno fragmento, existe a antiga “autêntica, documento autógrafo de 1609 firmado pelo Padre Geral Cláudio Acquaviva,SJ e com o fêmur e a cabeça do fêmur conserva-se a nova autêntica subscrita pelo atual Postulador Geral da Companhia de Jesus, Pe. Paolo Molinari,SJ